quinta-feira, 25 de março de 2010

Quem brinca com fogo queima-se

Muitas vezes damos por nós a elaborar um sem número de características, vícios ou hábitos que o Outro tem e que nos desencantam completamente. Eles não diferem muito de pessoa para pessoa, vai desde o uso da meia branca nas ocasiões mais formais, à falta de hábitos de higiene, passando pela ausência total de cavalheirismo. Todos os defeitos que possamos encontrar tendem a diminuir o interesse que alguém nos havia despertado. No entanto penso que nada se compara ao turn-off com que uma amiga minha se viu confrontada.

A Rita namorava há 4 anos com um homem bastante interessante. Ele era inteligente, possuía um excelente sentido de humor, era globalmente considerado o típico bom rapaz, gostava imenso dela e tudo fazia para a agradar. A vida dela ao lado dele era calma e tranquila, sem grandes problemas, discussões ou sobressaltos, no entanto (e como nós nunca estamos satisfeitas com o que temos) ela estava a precisar de vivenciar emoções mais fortes, dignas das sensações provocadas por uma descida de rafting. Um certo dia conheceu o Manuel, estavam os dois a trabalhar na mesma escola (eram ambos professores). Ela achou-o atraente e sedutor logo ao primeiro olhar, ele era alto, moreno e de olhos verdes (um clássico, fica sempre bem na história), mas o que ela mais gostava nele era a sua capacidade de a deixar sem resposta. Ela considerava o Manuel ao nível da sua inteligência na medida em que aprendia imensas coisas com ele, debatiam os assuntos com uma outra profundidade quando comparado com outras pessoas e ainda lhe acrescentavam uma dose de boa-disposição. É claro que perante este cenário, a Rita andava completamente fascinada, com a descoberta diária e com as sensações que o Manuel lhe despertava. Colocou tudo em causa, pensou em terminar o namoro e ele (que também namorava) pensou igualmente em terminar a sua relação.

Tudo corria relativamente bem, estavam a conhecer-se e a descobrir todo um conjunto de compatibilidades fantásticas que tornavam o dia de amanhã muito mais sorridente e animador. Até que um dia o Manuel começou, e sem que tivessem chegado a qualquer tipo de contacto físico ou que houvesse abertura para tal ousadia, a insinuar umas preferências sexuais muito particulares. Ele revelou a Rita que ficava fascinado com a possibilidade de ela se vestir de homem, ele de mulher e que tivessem relações sexuais a desempenhar os papéis sexuais desses mesmos géneros (acho que me faço entender). Escusado será dizer que foi um “balde de água fria” para Rita. Como é possível ter-se enganado tanto, colocado tudo em causa por uma pessoa que está tão longe da realidade que ela idealizou. E se inicialmente tentou minimizar a importância dessa proposta, sinais típicos dos momentos de paixão que nos tornam menos racionais, mais tarde começou a ficar demasiado desnorteada para conseguir ultrapassar a situação, dada a insistência do Manuel. Reparem que ele não queria beijá-la, não queria abraçá-la e não queria fazer amor com ela. Ele simplesmente queria realizar uma fantasia muito pouco ortodoxa e encontrou na Rita uma mulher que ele julgava capaz de a cumprir.

Negar participar num capricho fetichista do Manuel não era para Rita suficientemente marcante para deixar de se sentir usada. Não se sentia confortável com as mudanças que o Manuel trouxe para si e para a sua vida, quando na realidade este se revelou um perfeito desconhecido. Então marcou um encontro com ele para tomar café após três semanas sem se falarem por mensagem sequer. Disse-lhe que estava de acordo, que iria realizar esta sua fantasia, para ele a esperar dentro do carro dele (nada de motéis) na próxima sexta-feira num local conhecido de ambos. A indumentária teria de ser a seguinte: lingerie vermelha de renda, com um top preto rendado e com uma minissaia de Lycra. Com a depilação feita na perfeição, unhas pintadas e com uma cabeleira loira muito comprida. No dia marcado lá estava ele, qual travesti em dia de carnaval e nada de sinais da Rita. Eu adorei a imaginação dela e vocês o que é que fariam?

10 comentários:

S* disse...

Eu fugia a sete pés.

Martini Bianco disse...

ahahahaha... adorei! Afinal a Maria era mais conservadora do que ela própria julgava, ou então nunca poderia conceber uma relação de outra maneira a qual sempre esteve habituada.
PS: Foi a 1a impressão que fiquei depois de ler esse texto. Eu tb sou conservador nesse aspecto :)

SillyTalk disse...

Amei! Não consigo parar de rir, mas sem dúvida que teria feito o mesmo. Aaaaahhhh é a vingança perfeita!

Fresco_e_Fofo disse...

Eu, uma vez que ambos eram professores, convocava uma turma para comparecerem no encontro.
Havia de ser engraçado os putos irem encontrar o manuel(a) de calçola vermelha ahahahah.
Ai filha, ele anda aí cada um mais bem disfarçado...

Girl in the Clouds disse...

Ela imaginação teve.
Mas, há para aí com cada um!! omg!

O Gajo disse...

Infelizmente, são estes comportamentos desviantes que dão "má fama" a tudo quanto de bom e bonito pode acontecer entre duas pessoas que se conhecem, ou apaixonam, nestas ou noutras circunstâncias!

Mas uma coisa parece-me evidente: se ambos, mesmo namorando, se interessam e apaixonam por outras pessoas é porque a actual relação deles já viveu melhores dias... e não creio que esses dias voltem!

Sentimento de Mim disse...

Eh eh eh! Muita boa iniciativa a dela!

Chocolate com Morangos disse...

Muita imaginação dela...ehehehe Mas gostei imenso, não sei se conseguia fazer melhor. :D

Isilda disse...

Ainda bem que a história acabou bem.A Rita conseguiu ser inteligente a ponto de o fazer secar!Hahahahaha

Joao Menino disse...

:O tou meio chocado, mas uma coisa é certa... foi mesmo muiiito cómico xD! way to go Rita! xD

bjo^^